A criança radiante, o pequeno príncipe negro com seu pincel e sua coroa mágica.

Nova Iorque, anos 80. Você pode ser quem quiser, a arte e a cultura estão em alta. Músico? comece uma banda! Ator? Suba no palco! Pintor? Aqui está uma tela! Tudo é possível em meio ao ápice do Sex Drugs and Rock´n Roll. A grande maçã exportou para o mundo bandas de rock que estão nos palcos até hoje, atores que ainda estão em cena e são referências e o visual que ainda estampam muitas telas, paredes e camisetas, é o enlatado americano sendo consumido no mundo todo.


Esse enlatado se tornou ainda mais notório com uma lata em uma tela, pintada por um vanguardista. Andy Warhol quebrou paredes com sua Pop Art. Mas a arte ainda estava muito branca, nada que se fazia representava o lado negro de NY, o Guetho, as ruas de além Broadway e 5th Avenue. Poderia algo bom vir do Brooklin?

Mas quem passasse por Manhattan, encontraria em suas paredes a mesma marca: SAMO. E era esse mesmo o significado: “same old shit”(sempre a mesma merda), até que um dia, no SoHO se viu a marca “SAMO is dead”, bem quando se criava um movimento para entender a linguagem urbana dos grafiteiros.

“SAMO” tag. New York, 1977-1980

Mas essa morte não durou muito tempo. Um “pequeno príncipe e sua coroa mágica” estavam só começando uma trajetória de sucesso. O neoexpressionismo tomava forma e as galerias eram dominadas por rabiscos frenéticos ao invés do lixo cotidiano que Warhol enobrecia. Os ricos brancos queriam entender o urbano, o que se escondia em baixo do tapete da sociedade puralista, o que os crioulos tinham. O Hip Hop, o Jazz, os Grafites, o suburbano marginal entravam em cena. Em uma estirpe dominada por brancos, Jean-Michel Basquiat era o “pretinho no mundo da arte”.

Rostos deformados, riscos desalinhados, cores fortes, as telas de Basquiat causavam estranhamento e maravilhamento, não só em um público amante da arte, mas também em artistas amantes do público, daí a amizade com Andy, o affair com a até então anônima Madonna e com tantos experts e curadores.

Notary, 1983.

Era, para os críticos da época, o Eddie Murphy das artes, mesmo que a 7ª arte seja uma propriamente dita. Quando perguntavam de onde ele tirava as cores e as palavras, ele devolvia com uma pergunta: “Você perguntaria a Miles Davis de onde ele tira as notas?”. Quando questionado por sua cor, apenas dizia: “eu uso mais cores”. Definitivamente, o público de Basquiat ainda não havia nascido.

Mesmo com tanta notoriedade, insistia em dormir em caixas de papelão e bancos de praças de NY, além do uso constante de drogas, que nos anos 80 eram o que havia de mais Cool, essas encerraram precocemente com a arte de Samo.


Jean-Michel Basquiat morreu com 27 anos, em 12 de agosto de 1988, a causa: vítima ou cúmplice de uma overdose?

Andre Xavier

Author Andre Xavier

Artista por hobbie, com uns gostos estranhos pra música, hiperativo, amante de de um bom café, um bom livro e de uma ótima companhia. Misture tudo e você criou um Publicitário! Mas o que ele está fazendo aqui? Bom...cenas no próximo capítulo...

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