Coletivos da periferia de São Paulo declamam poesias na praça Julio Prestes em apoio aos moradores da região da Cracolândia

A primeira edição do Sarau Dignidade para Craco, idealizado por Luciana Santoni do coletivo Eu amo minha biblioteca pública, na praça Julio Prestes próximo a antiga Cracolândia, reuniu coletivos da periferia de São Paulo, artistas e moradores da região no último sábado (03). Com o microfone aberto a todos, foram declamadas poesias, desabafos das pessoas em situação de rua e protestos contra a gestão João Dória e Geraldo Alckmin, ambos do PSDB.

Além de arrecadar doações de roupas, alimentos e produtos de higiene, o grupo quis fazer algo maior, aproveitaram a tarde para recitar poesias e, o mais importante, ouvir as pessoas que estão desabrigadas. “Foi uma tarde muito agradável, todos e todas tiveram a oportunidade de trocar experiências e de alguma forma sairmos bem maior do que entramos”, conta Netto Duarte, ativista cultural e presidente do coletivo Simbiose Urbana, Cohab I, zona leste de São Paulo, que tem na sua essência o viés das lutas sociais. Acreditam que a cultura é o maior empoderamento para uma sociedade despertar e lutar pelos seus direitos e objetivos.

A intervenção artística e literária contou com a presença dos coletivos Perifatividade, Movimento Cultural das Periferias, Sarau Quinta em Movimento, Simbiose Urbana e Instituto du Gueto, com objetivo de dar visibilidade às pessoas que moram nas ruas. Para o coletivo Instituto du Gueto existem várias “cracolândias” espalhadas pelas periferias da cidade e apontam que pessoas do Brasil todo migram para a capital para usar a droga. A proposta do grupo é dar voz aos que vivem o descaso social e cultural no dia a dia longe do centro. Engajados, realizam ações com grafite, poesia e cinema para crianças e adultos da Cidade Tiradentes, no extremo leste da cidade.

“O Sarau na Craco surgiu a partir da ideia da Luciana Santoni. Ela pensou que o prefeito gestor higienista João Dória fez aquela ação absurda, arbitrária na Cracolândia, onde além de tratar os dependentes químicos, aquelas pessoas que precisam de apoio, sem um pingo de dignidade atacando bomba e batendo, ainda derrubou um prédio que era patrimônio público com pessoas lá dentro. É uma operação desastrosa que culminou com a saída da secretária da pasta dos Direitos Humanos, Patrícia Bezerra, que também é do PSDB, e saiu fazendo sérias críticas a este prefeito”, expressa Netto Duarte do Simbiose Urbana.

Para recordar

Na última edição da virada cultural (21), enquanto parte da população se distraía em shows e atividades pela cidade, a Cracolândia era ocupada por uma megaoperação da polícia de São Paulo, acompanhada pelo governador Geraldo Alckmin. Na operação, segundo a polícia, 38 pessoas foram presas. Os usuários de crack foram expulsos de forma opressiva, com bombas de gás e balas de borracha.

Seguindo com a operação na região dos Campos Elíseos, o prefeito João Dória autorizou a demolição de um prédio na rua Dino Bueno, no entanto, de acordo com testemunhas, a equipe da prefeitura não avisou os moradores da residência ao lado, que estavam dormindo no momento em que parte da estrutura veio ao chão. Três pessoas ficaram feridas. Durante a coletiva de imprensa, o Secretário municipal de Serviços e Obras de São Paulo, Marcos Penido, negou que tenha acontecido erros nas demolições.

Na semana seguinte ao episódio, o prefeito de São Paulo anunciou a criação de uma secretaria especial para negociar doações de empresas à cidade. O executivo Cláudio Carvalho de Lima, 47, ex vice-presidente da empreiteira Cyrela, assumiu a pasta chamada “Investimento Social”.

Carol Thieri

Author Carol Thieri

Estudante e apaixonada por jornalismo. Paulistana, do bairro do Ipiranga e taurina, é mãe de menino e educadora no projeto social “É nóis, crianças do bem”. No topo de sua estante, 'Cem anos de Solidão', de Gabriel García Márquez, ocupa a posição de seu livro favorito. Nas horas vagas prefere dançar e tocar atabaque em um terreiro de Umbanda. Acredita, que com educação e amor, as crianças irão salvar o mundo!

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