‘Cem anos de Solidão’ um dos maiores ícones do realismo fantástico

Esse livro é meu, Carol Thieri. Vivo perdendo coisas eu confesso. Por favor, se encontrar essa obra maravilhosa perdida, sozinha nesse mundo, me devolva. (11) XXXX-XXXX. Este é o melhor livro da minha vida! Assinado, taurina, apegada”. 22/02/2017. É isso que você encontra ao abrir a primeira página do meu exemplar de Cem anos de Solidão, do colombiano Gabriel García Márquez (1927 – 2014), carinhosamente chamado de Gabo.  O sucesso como escritor foi marcado por sua infância na rica tradição latino-americana recebida de seus avós. A obra de 1967 é um clássico da literatura moderna, por fazer parte do movimento denominado realismo fantástico ou ainda realismo mágico, que implementa conteúdos místicos a uma realidade, sendo que os personagens encaram aquilo como algo normal.

Porém, os detalhes técnicos não são o que me fizeram carregar esse livro para cima e para baixo. Cada linha é extraordinária, mas a narrativa, rica em cada um dos personagens apresentados no decorrer dos 100 anos que acompanham a aldeia de Macondo até a sua expansão, isso sim nos prende e explora uma verdade que é muitas vezes invisível aos olhos. O que me faz amar tanto esse livro está, assim como ele próprio, nas entrelinhas. Certa vez, um amigo me emprestou ele, mas eu possuo o péssimo hábito de perder coisas, com esse livro não seria diferente. Tive que comprar duas cópias, uma para ele, e a minha própria. O que me encantou tanto, pode ser a identificação com a personagem principal que todo ser humano possui. Refiro-me ao tempo é claro. Todos somos suas testemunhas, todos somos seus escravos e a ele todos estamos destinados.

Existe uma história por trás de cada pequeno gesto de nossa vida e cada personagem da história pode ser um reflexo disso, uma decisão, um momento. Há uma primeira vez para tudo, como a primeira visita ao gelo do Coronel Aureliano, todos buscam uma misticidade para explicar o inexplicável, para alcançar o que desejam. Se nem todos avistam borboletas amarelas a chegada de seu Mauricio Babilonia, pode ser que as sintam no estômago como Meme as sentiria. O mundo sempre se colore mais quando estamos nos braços de quem amamos. Todos nós vivemos nossos momentos de solidão independente do local em que estamos, momentos duram minutos, horas, que passam tão devagar que o tempo parece durar 100 anos. Talvez essa situação seja um feitiço da matriarca Úrsula Iguarán, ou apenas uma ilusão provocada por nós mesmos.

Gabo nos apresenta um universo mágico, tão longe de tudo que podemos presenciar e mais perto do que podemos imaginar. Por isso fiz questão de devolver o livro perdido para o meu amigo e comprar o meu. Deixei registrada a importância dele na minha vida caso alguém encontre ele por aí num banheiro da faculdade.

Carol Thieri

Author Carol Thieri

Estudante e apaixonada por jornalismo. Paulistana, do bairro do Ipiranga e taurina, é mãe de menino e educadora no projeto social “É nóis, crianças do bem”. No topo de sua estante, 'Cem anos de Solidão', de Gabriel García Márquez, ocupa a posição de seu livro favorito. Nas horas vagas prefere dançar e tocar atabaque em um terreiro de Umbanda. Acredita, que com educação e amor, as crianças irão salvar o mundo!

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