Do ano 2000 pra frente, homem do passado pensando no futuro, vivendo no presente.

Maestro do Canão, Sabota, Ganjaman, “chato”, não doador de órgãos, corintiano em São Paulo, flamenguista no Rio, assaltante e traficante, ator e consultor de filmes, detento da FEBEM, Fuinha, fã de Gato Felix, (com o perdão da palavra) “cuzão”… Só isso já daria um personagem de filme, mas tornou-se mais do que isso. Mauro Mateus dos Santos era Sabotage.

 

Nascido na Zona Sul de São Paulo, no dia 03 de abril de 1973, assassinado no dia 24 de janeiro de 2003, o rapper não foi só um número ou apenas mais um no seu meio musical, ele é a referência, um ícone, um mártir, todos os adjetivos passíveis de honrar o único Sabotage.

Era o “Meu Guri” de Chico Buarque e ouvia Leo Jaime, Afrika Bambaataa, Barry White… curtia um Racionais, um GOG, um Naldinho, um Ataliba e a Firma. “Ele ouvia música que eu não ouvia, música de rico, não perdia tempo, ouvia poesia”, elogiou Mano Brown. De Pixinguinha a Sandy & Junior, toda boa música era referência pra Sabotage.

Recebeu o batismo na família RZO ganhando um segundo apelido, o que mais sabidinhos chamariam de epíteto, quase um slogan – coisa comum entre os integrantes da sigla. Sandrão, por exemplo, é ‘o braço direito da favela’, DJ Cia é o ‘Vilão dos toca-discos’. Coube a Helião, ‘o Presidente’, o batismo. De tanto ouvir as letras dele se referirem com maestria ao Canão, se tornou dali em diante o ‘Maestro do Canão’” segundo o livro “Um Bom Lugar”, de Toni C. Mas o fato dele conseguir entrar em qualquer festa, mesmo sem ser convidado, se dar bem em trocas e rolos e sempre se safar de brigas, originou-se seu apelido mais conhecido: Sabotage.

Não conseguia cantar a mesma música duas vezes, era rei do improviso, criava na hora novas letras, novos arranjos, onomatopeias, batidas e da mesma música, antes escrita, poderiam se tirar outras três.  Assim era quando gravava com o RZO e nos concursos de rap que participava  que, segundo relatos, não era bom, sendo até mesmo chato, pedindo insistentemente para cantar. Foi se destacando e crescendo no meio até chamar a atenção de grandes gravadoras e gravar “Rap é Compromisso”, o primeiro CD solo e gravado em estúdio.

 

Ele nunca escondeu seu envolvimento com o crime, sempre andando armado e até mesmo se apresentando em shows assim. Um dia, o Maestro, segundo testemunhas, foi abordado por um traficante que disparou quatro vezes. Foi atingido com dois tiros na coluna vertebral, enquanto os outros dois atingiram sua mandíbula e sua cabeça. Mesmo com todas as tentativas de reanimação, o rapper não resistiu. Chegava ao fim a vida, mas não o legado de Sabotage.

Na página 85 de sua biografia, Toni C. conta: “Me lembro de quando estávamos jogando bola lá no alojamento, de repente Maurinho aparecia empunhando uma calibre 12 ou uma PT e parava o jogo, dava tiro na bola e nos fazia continuar o jogo com a bola furada. E ficava encostado no canto da quadra sorrindo da nossa cara”. Esse “cuzão”, como chamavam os que tinham essa atitude, era o Maurinho, era o mestre das rimas, era o grande amigo e parceiro fiel de todos, era, e é, o mano Sabotage.

Trechos do livro “Um bom lugar”, a biografia oficial do Sabotage, escrito por Toni C.

E Playlist? tem também! http://bit.ly/Sabota_Ret

Andre Xavier

Author Andre Xavier

Artista por hobbie, com uns gostos estranhos pra música, hiperativo, amante de de um bom café, um bom livro e de uma ótima companhia. Misture tudo e você criou um Publicitário! Mas o que ele está fazendo aqui? Bom...cenas no próximo capítulo...

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